terça-feira, 29 de março de 2016


"Quando um raio de riso
atravessou-lhe as lágrimas
em seu rosto se fez arco-íris."
David Cohen

"(...)Não existiriam borboletas
se os casulos tivessem janela
viver é para quem tem fome."
 David Cohen




"Sempre que muda a estação
confesso que minhas cicatrizes
me fazem confidências. (...)" David Cohen



domingo, 20 de março de 2016

O Rio São Francisco


Fátima Fonseca
O velho chico é um poema
alongando caminhos
de mortes e nascimentos
entre margens
de coragem, fé e sonhos
de uma gente
que aprendeu sua fala molhada
nadar contra a correnteza
não é imprudência
é piracema
é reprodução
o velho chico é um poema
quem o conhece
 arde esplendor
move água
cala poente
dorme peixe
e acorda êxtase


sábado, 19 de março de 2016

quinta-feira, 17 de março de 2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

Montes Claros


Fátima Fonseca

Minha cidade é um poema
tem céu azul e montes claros
tem cor de terra
voz de pássaros
mistérios de grutas
cacimbas e riachos
rastros de palavras
dormindo dentro de mim.


Aqui, neste momento
Imagino que tu és
Esta folha branca de papel
Que estou percorrendo
Com uma caneta cor de mel
Bico fino e com tinta azul
Que suavemente desenha
Letras como quem acaricia
A pele
Do objecto do desejo.

Se tu és esta folha de papel
Eu sou a caneta que sobre ela
Desliza
E a transforma no ser
Que deseja e idealiza.

O desejo humedece o ar
Que por sua vez faz
Suar a pele
Que é o papel.
O calor derrete a tinta
Da caneta cor de mel.

De repente
Folha e caneta
Transformam-se
Num objecto de contorno difuso
Mesmo confuso
E explodem
Transbordando energia
E desaparecem!

E eu já nem sei o que escrevia
Perdida nesta metáfora
Absurda de fantasia…

terça-feira, 15 de março de 2016

dentro dos poemas


                                                                 
Fátima Fonseca

quando eu era menina
e morava no interior com meus avós
o grupo escolar ficava pertinho da nossa casa 
nas segundas feiras tínhamos o horário cívico
até dava pra ouvir  o hino nacional
e poesias  sendo recitadas

em casa a gente passava  as tardes
quase todos sempre juntos
da cozinha exalava o cheirinho de café coado
portas e janelas abertas
lá fora as arvores vagavam nas mãos do vento
ocultas a nossa rotina 

minha tia pedalava sua máquina de costura 
eu com meus cadernos nas mãos
decorava os poemas
entre retalhos, fitas e linhas
ela me tomava a lição
às vezes elogiava as vezes corrigia
e  pedia pra  repetir:

“Barbara bela...
de te ausente
triste somente
as horas passo a suspirar”

com os olhos rasos d’água
ela me contava o sofrimento do autor
em cárcere longe de sua amada
escreveu esse poema
nas paredes descascadas na prisão
dizia ela emocionada

o tecido de mistério lilás
escorria entre  seus dedos
olhos viam distancias
e passeavam pelos seus desertos
minha tia amoldava o tecido e sua dor
um amor proibido?
ou não correspondido, quem sabe?

na segunda feira eu estava toda prosa pra declamar
mas a voz embargava
havia uma angustia minúscula
as palavras não queriam falar
secretas só queriam ser entendidas
até  hoje me sinto  abandonada pela minha voz
que me chama para adentrar nos poemas.



domingo, 13 de março de 2016

Poema de Porcelana


Poema de Porcelana (Rosangela Alves)

Seguro este poema pela asa,
como se fosse a xícara
inglesa, que foi da minha mãe,
com rosas esmaecidas,
prestes a despetalar.
Visto na contraluz,
é quase transparente.
Tem alma de jasmim
e suspira quando lido.
Levemente.
Traz a palavra cuidado!
Impressa em sua embalagem.
A xícara, eu, o poema,
estamos aqui de passagem.

este poema é dedicado; de Rosangela para Apparecida/oficina Literaria-OAP-UFMG