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sexta-feira, 18 de abril de 2025

 "Não me lembro mais 

qual foi nosso começo. 

Sei que não começamos 

pelo começo. 

Já era amor antes de ser."


Clarice Lispector

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Mão

 


Agora preciso de tua mão,

não para que eu não tenha medo,

mas para que tu não tenhas medo.

Sei que acreditar em tudo isso será,

no começo, a tua grande solidão.

Mas chegará o instante em que me darás a mão,

não mais por solidão, mas como eu agora:

Por amor. 


(Clarice Lispector)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

 Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim. Eu queria uma liberdade olímpica. Mas essa liberdade só é concedida aos seres imateriais. Enquanto eu tiver corpo ele me submeterá às suas exigências. Vejo a liberdade como uma forma de beleza e essa beleza me falta.

Clarice Lispector, in "Um Sopro de Vida"


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

"Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus. É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo" Clarice Lispector

segunda-feira, 25 de junho de 2018

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

"Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus. É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo" Clarice Lispector

domingo, 26 de outubro de 2014

Clarice Lispector
Sou composta por urgências:
minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas.
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos.
Eu não caibo no estreito,
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender
não é uma questão de inteligência
e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Clarice Lispector
"Viver é um ato que não premeditei. Brotei das trevas. Eu só sou válida para mim mesma. Tenho que viver aos poucos, não dá para viver tudo de uma vez. Nos braços de alguém eu morro toda. Eu me transfiguro em energia que tem dentro dela o atômico nuclear. Sou o resultado de ter ouvido uma voz quente no pas­sado e de ter descido do trem quase antes dele parar — a pressa é inimiga da perfeição e foi assim que corri para a cidade perdendo logo a estação e a nova par­tida do trem e seu momento privilegiado que desperta espanto tão dolorido que é o apito do trem, que é adeus."


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

...equilibro-me como posso...


 Clarice Lispector

Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus. É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo

sábado, 23 de novembro de 2013

Clarice Lispector

Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
A salvação é pelo risco,
Sem o qual a vida não vale a pena!!!"

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

alegria


Clarice Lispector
Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
A salvação é pelo risco,
Sem o qual a vida não vale a pena!!!"

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

diálogo


Clarice Lispector 
-Posso dizer tudo?

-Pode.

Você compreenderia?

-Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei - por ser um campo virgem - está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.

 em "A descoberta do mundo"

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Clarice Lispector


É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Olhe...

C.Lispector
Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

sábado, 8 de junho de 2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Clarice Lispector




Sou composta por urgências: 

Minhas alegrias são intensas. 
Minhas tristezas, absolutas. 
Entupo-me de ausências.
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito.
Eu só vivo nos extremos.


Clarice Lispector

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Clarice Lispector



...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Clarice Lispector


Quero escrever

Quero escrever 
o borrão 
vermelho de sangue 

Quero 
escrever o borrão vermelho de sangue 
com as gotas e coágulos pingando 
de dentro para dentro. 
Quero escrever amarelo-ouro 
com raios de translucidez. 
Que não me entendam 
pouco-se-me-dá. 
Nada tenho a perder. 
Jogo tudo na violência 
que sempre me povoou, 
o grito áspero e agudo e prolongado, 
o grito que eu, 
por falso respeito humano, 
não dei. 

Mas aqui vai o meu berro 
me rasgando as profundas entranhas 
de onde brota o estertor ambicionado. 
Quero abarcar o mundo 
com o terremoto causado pelo grito. 
O clímax de minha vida será a morte. 

Quero escrever noções 
sem o uso abusivo da palavra. 
Só me resta ficar nua: 
nada tenho mais a perder.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Clarice Lispector



Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.