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quarta-feira, 15 de junho de 2016


Quando chegares
sacode lá fora
teus sapatos
tua roupa
teus cabelos
Não magoes
meus olhos com este excesso
de luz.                                             Yeda Bernis

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Yeda Prates
Teu gesto,
              sagrada
              vitória
              da loucura.
Teus passos,
              pegadas
              de luz
              pelos tempos.
Teu espírito,
              leveza
              de vôo
              de teus pássaros.
Teu amor,
              reflexo
              do olhar
              divino.

sábado, 31 de maio de 2014

quarta-feira, 28 de maio de 2014

VIANDANTE

Yeda Prates Bernis

A palavra saudade treme de frio,
quando a escrevo.

Quando chegaste, São Pedro suspeitou:
já conheço esta luz!

Aqui eras homem e terra.
Agora és estrela e longe.

Atravessaste o mistério.
E, por amor, te desvendo nele.

Com mãos de brisa arredaste nuvens que
protegiam o desconhecido.

De tuas mãos, quando desceste, exalava chuva de luz.
Só estrelas alumiavam a hora sombria.

Não esperaste pelo nascer das rosas, tão adivinhadas.
Vou te levar o perfume delas.

Teus pés ficaram surpresos ao caminhares
sobre tantas estrelas?

Invejando o vôo da andorinha, em tua viagem,
venceste tempo e dor.

No silêncio manso deste poente, de minhas mãos
faço berço para ninar a tristeza.

Meus olhos te perderam.
E como te vejo!

Quando varrerem estrelas, pede para jogá-las
sobre nosso telhado.

Abre a janela desse palácio azul.
Procuro ver teu rosto sorrindo.

Só depois que foste, componho meu tempo
em pauta de violoncelo e réquiem.

Teus óculos, sobre a mesa de trabalho, me espiam.
Vêem também o meu vazio?

Teus sapatos conheceram Tóquio, Istambul, Buenos Aires.
Repousam agora num canto do armário:
pesariam demais para tua última viagem.

Ofereci tua camisa do América a um torcedor fanático.
Ela vai acrescentar, em seu peito,
a tua paixão ingênua pelo clube.

O canarinho deixou de cantar: morreu em tuas mãos.
Sofreste longamente.
Escutarás seu canto
na gaiola sem portas do para sempre.

Descobri tua foto dando o chute inicial em jogo de futebol.
Agora, marcaste o maior gol
entre as traves estreitas do céu.

Digoxina, Slow K, Captopril e Marcoumar restam na gaveta.
Por teu amor à pobreza,
hão de melhorar corações indigentes.

Com Churchill conversas sobre tua admiração por ele.
Com Milton Campos, falas de justiça.
Com Chico Xavier, indagas da espiritualidade.
A propósito: já terás dado um abraço em Jesus?

Levaste contigo bagagens e mais bagagens de generosidade.
Tantas, que muitas rolavam por onde passaste.

Guerra, luto, violência, corrupção, injustiça:
estás a salvo da tragédia humana.

Um tsunami passou
e meus olhos estão rochas de cristais.

Apreciavas tanto o queijo mineiro, que deves ter cortado
uma fatia da Lua, no caminho.

O céu será como abacate, limão e açúcar,
de que tanto gostavas?

Nos pomares do céu, serão as laranjas
mais doces?

Bacalhoada, moqueca de peixe, massas italianas
- tantos pratos - e a mesa vazia!

Colei um trevo de quatro folhas em tua carteira
de identidade.
Permanecerás com teu passaporte válido para a felicidade.

A ausência de tua voz é mensagem que recebo
de momentos indizíveis.

Levaste para o território da luz
minhas todas auroras.

Teu coração continua batento forte: no porta-retrato.

Teu silêncio acorda em mim palavras antigas.

Pendurei teu sorriso em minha memória
como estandarte.

Do embornal do cotidiano retiro, a todo instante,
lascas de saudade de ti.

O rumor de teus passos pisa meu coração.

Tua caneta, ainda morna de tuas mãos,
aguarda tua assinatura.
Em vão.

Teu perfume no travesseiro beija meu rosto molhado.

Conquistaste tantas e muitas pontes.
A última, as cores do arco-íris.

Com as cartas do baralho, sobre a trama dos dias,
venceste com Às de Ouro.

Tanto o vazio preenche a vida que, sem ti, só ausência
transborda em mim.

À BEIRA DO OUTONO

Yeda Prates Bernis
Um rio corta ao meio
o outono de folha esvaída
onde outra luz descansa
entardecida.

Ali me reconheço
entre primavera e inverno
dividida
e sei que anoiteço.
Um rio corta ao meio
o outono de folha esvaída
onde outra luz descansa
entardecida.

Ali me reconheço
entre primavera e inverno
dividida
e sei que anoiteço.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014