Para a minha apatia
queria
a visita desse vermelho-sangue
com esse laço roxo
de amor confidencial
deitado
no ombro do poema
*_Fátima Fonseca_*
"Quando nem Freud explica, tente a poesia"
Da mão o outono me come sua folha: somos amigos.
Descascamos o tempo das nozes e o ensinamos a andar:
o tempo retorna à casca.
No espelho é domingo.
no sonho se dorme,
a boca não mente.
Meu olho desce ao sexo da amada:
olhamo-nos,
dizemo-nos o obscuro,
amamo-nos como ópio e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no raio sangrento da lua.
Entrelaçados à janela, olham-nos da rua:
já é tempo de saber!
Tempo da pedra dispor-se a florescer,
de um coração palpitar pelo inquieto.
É tempo do tempo ser.
É tempo.
_Paul Celan_
Tempo
É mesmo assim
esse tempo de espera.
Um cobertor bordado
de folhas encarnadas.
Um não-sei-quê ...
Convite ao silêncio,
à reflexão.
Ventos pressentindo
o desmaiar da estação.
Deixar ir.
Outono chegando...
Fatima Fonseca
Flores? Ah, as mulheres... O 08 de março repetitivo. Pergunta-se: para quem serão essas flores? Para as vivas ou para as mortas? Neste país que convive com a matança de mulheres. ff