"Um cheiro de jacinto, uma voz de poesia. É setembro. 'Acaba não, mundão!'"
ff
"Quando nem Freud explica, tente a poesia"
Venho de um lugar
onde há uma gruta
com seus insondáveis mistérios.
Nela habitam vários estrangeiros
que falam as línguas das pedras,
dos capins, dos ventos e suas sílabas.
Sou parte dessa gente
que canta para a chuva chover,
numa audácia de esperançar.
Eu sei que o mundo é maior
que a minha gruta,
meu chão e suas raízes.
O universo sou eu;
escrevo, contudo.
Fátima Fonseca
Meu amor,
Se me ama, por favor, não diga
que me amará por toda a sua vida.
Não só porque a sua declaração aprisiona
e não lhe posso prometer o mesmo,
mas também porque eu poderia acreditar na sua promessa e esquecer que você é temporário.
Vamos viver o amor de cada dia.
E se um dia for de despedida, será em silêncio,
como os pés descalços atravessando um poema de
Florbela Espanca.
Fatima Fonseca
Era uma vez um poema
que foi escrito em letras
cursivas douradas.
Outra vez,
o poema foi escrito e talhado.
Mais uma vez, em vão,
em vão foi lido e rasgado.
Não sei o porquê
de insistir em um poema
destinado a morrer assim,
como esse que fiz para você.
FF