Em Quincas Borba, Machado de Assis oferece uma das mais delicadas reflexões sobre afeto, cuidado e permanência:
“Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.”
A rosa desconhece o tempo do homem. Não sabe de sua brevidade, de seus cansaços ou de sua inevitável partida. Conhece apenas a mão que a rega, a paciência que a poda e a constância silenciosa de quem se dedica a preservá-la.
Talvez assim também aconteça com aqueles que amamos. Para quem recebe cuidado verdadeiro, a presença de quem cuida adquire um sentido de permanência. Não porque seja de fato eterna, mas porque se grava na memória com a força das coisas essenciais.
Há pessoas cuja maior grandeza não está no que dizem, mas no zelo discreto com que permanecem. São jardineiros de vidas alheias: sustentam, protegem e, muitas vezes sem reconhecimento, tornam possível o florescimento do outro.
E quando o tempo passa, descobre-se que certas presenças não desaparecem. Continuam existindo na lembrança, como se a alma, à semelhança das rosas, não soubesse conceber o mundo sem aqueles que um dia a cultivaram.
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