"Uma xícara de café, um canto tranquilo, e o mundo pode esperar."
"Quando nem Freud explica, tente a poesia"
Puxo o fio da escrita
Mergulho entre o Tigre e o Eufrates
Encontro cunha molhada
Marcando traços no barro
Invento a escrita.
Escrevo listas de ovelhas
Descrevo mantimentos para venda
Escrevo quando alguém morre
Escrevo histórias.
Escrevo para não esquecer!
Eu, Gilgamé, não sou esquecido
Viro poema épico
Deixo rastros
Invento lembranças
Resgato sentimentos.
Escrevo para não me deixar esquecer!
Puxo o fio da escrita-
De uma ponta a outra-
Escrevo para não me deixar esquecer!
Márcia Sartorelo
Arte:Cécille veilhan
Aprendiz de poeta, escrever é um jeito que gosto de existir. Garimpeira de sentidos abstratos, bebo goles de palavras. Nesse lugar, onde um exército invadiu meus domínios, derrubou muros e ganhei um alvará de soltura.
Fatima Fonseca
Venho de um lugar
onde há uma gruta
com seus insondáveis mistérios.
Nela habitam vários estrangeiros
que falam as línguas das pedras,
dos capins, dos ventos e suas sílabas.
Sou parte dessa gente
que canta para a chuva chover,
numa audácia de esperançar.
Eu sei que o mundo é maior
que a minha gruta,
meu chão e suas raízes.
O universo sou eu;
escrevo, contudo.
Fátima Fonseca
Meu amor,
Se me ama, por favor, não diga
que me amará por toda a sua vida.
Não só porque a sua declaração aprisiona
e não lhe posso prometer o mesmo,
mas também porque eu poderia acreditar na sua promessa e esquecer que você é temporário.
Vamos viver o amor de cada dia.
E se um dia for de despedida, será em silêncio,
como os pés descalços atravessando um poema de
Florbela Espanca.
Fatima Fonseca