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sábado, 20 de julho de 2013

Retorno


Fábio Melo
Somente depois de ter andado por terras estranhas
É que pude reconhecer a beleza da minha morada.
A ausëncia mensura o tamanho do local perdido
Evidencia o que antes estava oculto, por força do costume.
Olhei minha mãe como se fosse a primeira vez,
Olhei como se eu voltasse a ser criança pequena
A descobrir-lhe as feições tão maternas.
Abri o portão prinipal como quem abria 
Um cofre que resguardava valores incomensuráveis.
As vozes de todos os dias estavam reinauguradas.
Realizar a proeza de ser gerado de novo.
Suas mãos sobre os meus cabelos pareciam devolver-me
A mim mesmo.
Mãos com poder de sutura existencial...
Era como se o gesto possuísse voz, capaz de dizer:
Dorme meus filho, porque enquanto vocë dormir
Eu lhe farei de novo.
Dorme meu filho, dorme...

domingo, 14 de julho de 2013

PEDIDO


Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim.
O que eu quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim.
Que você chegue com seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim...
Pra me fazer ver o que sou e que só você viu.
Para eu ser capaz de me amar também
O que só você amou.
Eu não quero que você seja igual a mim.
Eu já tenho a mim.
Não quero construir uma casa de espelhos
Que multiplique minha imagem por todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que julgo ser.

Do livro: Quem me roubou de mim?

sábado, 25 de maio de 2013

Padre Fabio de Melo



(...)Outro dia me pus a pensar que sou semelhante às mulheres da literatura de Érico Veríssimo.
Aquelas que enquanto os homens se ocupavam da guerra, elas se ocupavam do tempo e do vento.
Eu não tenho muitas definições a meu respeito; apenas respeito a dor de cada hora,
a esperança de cada momento.
E, se isso me define, então sou a dor que sabe esperar.

[ Trecho do livro Mulheres de Aço e de Flores]