Oceano de estrelas
terra de acasos
prisoneiro sou
das Minas lágrimas
Rimas de tolas saudades
Kleber Auad
segunda-feira, 13 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
A flor da pele
Fátima Fonseca
tácitas ou escorregadias
a flor da pele.
Minhas emoções
vivem suas estações
às vezes flores...
às vezes espinhos...
tácitas ou escorregadias
quarta-feira, 1 de junho de 2016
terça-feira, 31 de maio de 2016
Escultor
Leo Cunha
Para quem olha a pedra dormindo
e escuta seus sonhos.
Para quem olha a pedra sorrindo
e rouba seu coração.
Para quem olha a pedra olhando
seus olhos no espelho.
Para quem vê a pedra criando
vida em sua mão.
Para quem olha a pedra dormindo
e escuta seus sonhos.
Para quem olha a pedra sorrindo
e rouba seu coração.
Para quem olha a pedra olhando
seus olhos no espelho.
Para quem vê a pedra criando
vida em sua mão.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
DE COMO SILENCIAR CANÇÕES
Jacqueline Lopes Salgado Soares
Tinha mãos de espinho porque destruíste as rosas. Eu, também rosa,
Desabitei teu gesto, com o que restara de minhas asas de gelo.
Tocamo-nos apenas no silêncio
Por trás da tarde, levemente crivado
De palpites acinzentados. As horas ficam.
Curvam-se ágeis as palavras mortas, em um ou dois
Bagaços da memória. Estrelas
Se desdobram por baixo revirando minhas metáforas
Todas repousando delicadas
Por ironia da noite.
Cerro os olhos de dentro para não ver a espera.
Por fora, sou um jardim atento.
Verdades sobre ti
Passam-morrem,
Escoam et caeteramente
Pelos olhos cúmplices do entorno.
Eis-me na dor da hora suja. Eis-me
Secreta, hermética, profunda, divagada
Pela rosa muda que sonhei, em mim.
Movo-me cada vez mais distante dos teus riscos
E o que vês em mim, é o seu único Refúgio.
Eu sei, é certo. Não faltarão simulacros
De rosas outras
A desdizer-me enquanto canção, nem outras mãos miúdas.
Nem braços descruzados à despertar pássaros ferida abaixo.
Nem rosas cantadas em silêncio. Silêncio
Grande demais, para se habitar só em gestos.
LÁZARO, O CERRADO E A PROFECIA
Clúdio David Dangió
Lázaro nasceu no cerrado
O cerrado se fez em flor
Ipês, copaíbas e faveiros
Raízes e cipós entrelaçaram-no
E o cerrado nasceu em Lázaro
Entre amigos bichos do campo
Disputando frutas silvestres
Gabirobas, marolos e cambuís
E assim aculturou-se
Com músicas vindas da mata
Sinfonias de aves e pássaros
Sabiás, jacus e mutuns
Também se evangelizou
Com estórias de assombração
Saci, caipora e lobisomem
Suas crenças e mitos
Nas campinas incandescentes
Das noites de lua cheia
O guará “uuuuuuivava” em ritual
Dragões com chamas e fumaça
Correntes mata adentro
Arrancavam arbustos da Mãe
E a profecia fez-se então
Em seu derradeiro suspiro
Lázaro bradou:
– Pai! Afasta de mim
O gosto amargo do açúcar
Abraçado, morreu com o cerrado
Seus amigos sem julgamento
Queimados foram todos
Das cinzas, a metamorfose verde
O progresso sentenciou:
– Lázaro, levanta-te
E deixa o canavial
E assim cumpriu-se o veredito
Hoje, uma voz mansa e cansada
Clama solitária no deserto:
– Quero apenas um eito
Um eito do cerrado.
E Lázaro tinha visões,
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