segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

depois


existo

há já tanto tempo

 

depois

 

nasci

das tuas mãos

que me escreveram

 

talvez

me reconheça

 

se algum dia

decidires ler-me



Maria Teresa Bispo 

 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

 "Tive um chão (mas já faz tempo)

todo feito de certezas

tão duras como lajedos

Agora (o tempo é que fez)

tenho um caminho de barro

umedecido de dúvidas

Mas nele (devagar vou)

me cresce funda a certeza

de que vale a pena o amor"

             Thiago de Mello

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Poliamor



passarinhos se bicando 

Damas da noite perfumando 

eu aqui orando baixinho

tudo está em movimento...

estamos num relacionamento sério 

com a nossa prima Vera 

poliamor  

                                Fátima Fonseca. 









Lanaçamento_ 18/09 livraria ouvidor/ Savassi/ BH





Águia indomável  _ Marilurdes Nunes



 

Mostrô BH 18/09





O Waterloo feminino - Solange Amado

sexta-feira, 25 de junho de 2021

 rasgou o jeans

rasgou a floresta

rasgou o verbo

rasgou a poesia

por isso a esperança anda sumida

medo de ser rasgada...

domingo, 21 de março de 2021

Outono

 Eu, 

Tu,

Eles,

Nos, somos uma folhinha em queda livre. Insinua o outono.

                    Fátima Fonseca

sábado, 13 de março de 2021

Solitude

 

                                      Kathia Pimentel

Desfaço-me de todas as necessidades

Para manter-me, no mínimo, ao longe 

Das febris exigências de um tempo inglório  

Quero voar acima de todo incômodo

Fugir das palavras vãs e mórbidas

Soadas em estridentes falsetes

A invadir tímpanos e sonhos

Desfaço-me de toda urgência

Que a tantos falta o imprescindível

Nem um sonho para tornar verdade

Embriago-me nos agudos das alcateias

A enfrentar tempos desconhecidos 

Esqueço-me no cuidar das plantas

No brilho óbvio das noites enluaradas

Até que nasça a trêmula palavra 

Que reconheça a solitude 

Do que tenho para viver hoje.

terça-feira, 9 de março de 2021

 Lá fora barulho.

Um sobe e desce.

Eu,

aqui na minha janela

rezando bem baixinho

é para não espantar 

os passarinhos.

Fátima Fonseca