domingo, 8 de novembro de 2015

mundo da lua


sempre vivi no mundo da lua
conheço cada miudeza dos céus

já fui balharina em festas de urubus
                                                  fátima fonseca

sexta-feira, 6 de novembro de 2015


Algumas de suas frases lapidares

"A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas, capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo..."

"Não precisa correr tanto, o que é seu às mãos lhe há de vir..."

"A mentira é muita vez tão involuntária como a respiração."

"Mas o tempo, o tempo caleja a sensibilidade."

"Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz."

"(...) Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis (...)"

"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"

"A gratidão de quem recebe um benefício é bem menor que o prazer daquele de quem o faz."

"As coisas valem pelas idéias que nos sugerem."

"As pessoas valem o que valem para a afeição da gente."

"Lágrimas não são argumentos."

"O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele."

"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar."

"Não te irrites se te pagarem mal um benefício; antes cair das nuvens que de um terceiro andar."

"É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir."

"O acaso... é um Deus e um diabo ao mesmo tempo."

"Eu sinto a nostalgia da imoralidade."

"A moral é uma, os pecados são diferentes."

"A loucura é uma ilha perdida no oceano da razão."

"A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal."

"Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno."

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

amor


na pele do meu jardim
bichinhos com asas
namoram as violetas

meu coração disparou
e eu fiquei em silêncio, quieta...
sentindo  o brotar
o pulsar das violetas
roxas de amor.
                                  fátima fonseca



orvalhos derretendo 
de amores pelo sol
a luz  do dia
e eu poesia-me
                                        
Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
                                   Paulo Leminski

A partir desta data,
Aquela mágoa sem remédio
É considerada nula
E sobre ela, silêncio perpétuo.
                               Paulo Leminski

O destino quis que a gente
se achasse, na mesma estrofe
e na mesma classe,
no mesmo verso
e na mesma frase.
                              Paulo Leminski
isso de querer ser 
exatamente aquilo 
que a gente é 
ainda vai 
nos levar além
          Paulo Leminski

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Noite adentro



Atado a um barco na noite
o sono curva-se sobre si mesmo,
entregue ao movimento secreto das ondas.
Durmo, acordo, vem dos livros fechados
o cheiro escuro dos sargaços.
Neste quarto, noite adentro, percebe-se
a presença perturbadora do mar:
nas estantes, nos tapetes, nos móveis submersos.
Nas paredes lisas de cansaço.
Sou jogada no sono de um sonho a outro,
lançada entre corais, como um peixe
que dorme na ressaca.
Quando for preciso novamente
acordar para o dia,
o mar terá se afastado lentamente
e voltado a ocupar o lugar
onde o vejo
pela janela esquerda do quarto.

Ana Martins Marques

terça-feira, 3 de novembro de 2015

amor


sim poeta o amor é líquido!
escorregadiço
pode vazar sem alardes
e não adianta repor de cuidados
depois que ele aprendeu a escapar.
                                              fátima fonseca

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

pupilas dilatadas de estrelas,
pele empolada  de emoções,
alagamentos de saudades torrentes,
pancadas de frustações
beijos crateras.

acorda!  você exagera demais
                                           fátima fonseca