sexta-feira, 17 de abril de 2015

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança.
Ernest Hemingway
Não compreendo. ... Apenas/ Tento/ (Suor, subida, cascalho/ Seca)/ Somar teu corpo/ A meu pensamento.Hilda Hilst


Diamantina
não é fotografia
e nem dói.
É uma ingresia
de saudade
pulsando fina
e, às vezes, rói.
É um garimpo
nestes veios
que carrego
como minas.
Como Minas
me remói!


Um povoado ao luar
é o estado poético
da geometria
ou vã tentativa
de organizar
a poesia?


O sol põe o olho
entre os montes: um vermelho
e belo horizonte.


Meu desejo
agora:
não ter nenhum desejo
ou antes
ter a gula
de um cantar de galo
fora de hora
só pelo gosto
de despertar
neste peito gasto
alguma aurora.


Se eu me chamasse Raimundo
o mundo
seria meu eco?


Céu anil barroco.
Sobre nuvens d'ouro puro
santa de pau oco.

Colcha de telhados
entre montanhas. A vila,
talvez um bordado...

                                       
                               Ângela Leite de Souza

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar." Eduardo Galeano

terça-feira, 14 de abril de 2015

FRUSTRAÇÃO
Miguel Torga
Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.
Perdi o trem
e o medo
de perder.

Perdi o trem
e o medo
de perder
trens.

Perdi o trem
e o medo
de te perder.

Perdi o trem
e o medo
de te perder,
trem!

Perdi o trem
de medo
de te perder.

                           Ângela Leite de Souza,

sábado, 11 de abril de 2015

Marcas

Cida Garcia
 Marcas

Mas  sou  ainda  desejável
e  quem  me  amar
tem  de  me  amar
com  as  marcas
cravadas  pela  vida.

Longe  de  escondê-las,
vou  mostrá-las,
mesmo  com  recato.

Não  são  chagas  nojentas
nem  cascas  purulentas
de  que  se  deva  fugir.
São  galardões
e  enfeitam  meu  corpo,
medalhas  de  guerra
conquistadas  por  mérito.

Enfeitam  minh'alma
e  aclaram  o  crepúsculo
com  tanta  força!
Como  desprezá-las?

(8/julho/2010)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Para aliviar a dor
Deus me deu um par de asas:
lápis e papel
e o gosto por esvaziar. Fátima Fonseca
                                                                             

Mulher

 Cora Coralina
Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Creio na força imanente
que vai gerando a família humana,
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,
na superação dos erros
e angústias do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar.