quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Fios da Escrita




Puxo o fio da escrita

Mergulho entre o Tigre e o Eufrates

Encontro cunha molhada

Marcando traços no barro

Invento a escrita.

Escrevo listas de ovelhas

Descrevo mantimentos para venda

Escrevo quando alguém morre

Escrevo histórias.

Escrevo para não esquecer!

 

Eu, Gilgamé, não sou esquecido

Viro poema épico

Deixo rastros

Invento lembranças

Resgato sentimentos.

Escrevo para não me deixar esquecer!

 

Puxo o fio da escrita-

De uma ponta a outra-

Escrevo para não me deixar esquecer!

                   Márcia  Sartorelo

terça-feira, 15 de setembro de 2026

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

sábado, 12 de setembro de 2026

Aprendiz de poeta

 

                             Arte:Cécille veilhan


Aprendiz de poeta,  escrever é um jeito que gosto de existir. Garimpeira de sentidos abstratos, bebo goles de palavras. Nesse lugar, onde um exército invadiu meus domínios, derrubou muros e ganhei um alvará de soltura.

Fatima Fonseca

sábado, 5 de setembro de 2026

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Meu mundo

 Venho de um lugar 

onde há uma gruta 

com seus insondáveis mistérios. 


Nela habitam vários estrangeiros 

que falam as línguas das pedras, 

dos capins, dos ventos e suas sílabas. 


Sou parte dessa gente 

que canta para a chuva chover, 

numa audácia de esperançar. 


Eu sei que o mundo é maior 

que a minha gruta, 

meu chão e suas raízes. 


O universo sou eu; 

escrevo, contudo.

                                  Fátima Fonseca

Meu amor,

Meu amor, 
Se me ama, por favor, não diga 
que me amará por toda a sua vida. 
Não só porque a sua declaração aprisiona 
e não lhe posso prometer o mesmo,
mas também porque eu poderia acreditar na sua promessa e esquecer que você é temporário. 
Vamos viver o amor de cada dia. 
E se um dia for de despedida, será em silêncio, 
como os pés descalços atravessando um poema de 
Florbela Espanca.

Fatima Fonseca

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 

Ando com vocação para a leveza.
Tenho acumulado silêncios e amenidades.
Às vezes, o vento passa com algumas notas afinadas,
convidando ao desassossego,
mas só quero as horas de um lago com suas águas paradas,
enquanto durar meu querer.

Fatima Fonseca

domingo, 23 de agosto de 2026

Poema

 Era uma vez um poema 

que foi escrito em letras 

cursivas douradas.

Outra vez,

o poema foi escrito e talhado.

Mais uma vez, em vão,

em vão foi lido e rasgado.

Não sei o porquê 

de insistir em um poema 

destinado a morrer assim, 

como esse que fiz para você.

FF

sábado, 22 de agosto de 2026

 

Poema de Ana Martins Marques

Escrevo

 Escrevo

Tá caindo folhas, escrevo

Escrevo,
não sei se escrevo
poema, poesia, prosa,
sei que escrevo,
como um córrego 
que escorre caminho a fora
em busca do mar.

Fátima Fonseca

Paixão...

 Descabelada
Que doidera é essa?
Ah...apaixonou se

ff


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Haicai

 


Fuça aqui e lá, 
O anel caiu na lama, 
Saiu do focinho. 

Fatima Fonseca


(Nunca jogue pérolas em porcos)

domingo, 9 de agosto de 2026

 


Carta a um desamor


Escrevo a um desamor para dizer-lhe que hoje eu o encontrei em uns rabiscos amarelados. E por que escrevo? Escrevo porque é libertador.

Inesquecível desamor,
Lembro que saí de sua embarcação como entrei. Sozinha.
E que culpa tem você se eu insisti em o querer no meu caminho solitário.
Que culpa tem você se encontrei no seu olhar uma semente de luz que acendeu do meu lado esquerdo um astro ignorado.
Sigo... E, sedenta de luz, sublinhei a palavra lucidez na menina dos olhos.
Por vezes, um piscar e um suspiro.
Febre súbita?
Sempre murmuro comigo:
Não! Não  mais!

FatimaFonseca

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Entardecer

 



Os vaga-lumes 

já não atravessam mais 

o interior do meu breu.

não que eu não permita.

é que não tenho mais fome

de tsunamis.


As ilusões

vestidas de fantasias 

ficaram na esquina.

Talvez por isso 

essa apatia 

essa náusea 

que eu chamo de entardecer.


                  Fátima Fonseca


Foto: _Sônia Antunes Faria_