Puxo o fio da escrita
Mergulho entre o Tigre e o Eufrates
Encontro cunha molhada
Marcando traços no barro
Invento a escrita.
Escrevo listas de ovelhas
Descrevo mantimentos para venda
Escrevo quando alguém morre
Escrevo histórias.
Escrevo para não esquecer!
Eu, Gilgamé, não sou esquecido
Viro poema épico
Deixo rastros
Invento lembranças
Resgato sentimentos.
Escrevo para não me deixar esquecer!
Puxo o fio da escrita-
De uma ponta a outra-
Escrevo para não me deixar esquecer!
Márcia Sartorelo


