domingo, 10 de junho de 2012

As horas pela alameda



Fernando Pessoa


As horas pela alameda
Arrastam vestes de seda,


Vestes de seda sonhada
Pela alameda alongada


Sob o azular do luar...
E ouve-se no ar a expirar 


A expirar mas nunca expira
Uma flauta que delira,


Que é mais a idéia de ouvi-la
Que ouvi-la quase tranquila


Pelo ar a ondear e a ir...
Silêncio a tremeluzir...

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