Fátima Fonseca
suspensas no meu peito
palavras não ditas
vivo tentando a poesia
na esperança de voar
com a palavra liberdade.
domingo, 15 de abril de 2018
sermão
Fátima Fonseca
minha vó me dizia
que aprendeu com os antigos:
cuidado com as palavras
elas podem ser desfiadoras e vingativas
portanto, não se exalte com soberba
nunca diga nunca
pois você poderá prestar contas
das palavras ditas.
minha vó me dizia
que aprendeu com os antigos:
cuidado com as palavras
elas podem ser desfiadoras e vingativas
portanto, não se exalte com soberba
nunca diga nunca
pois você poderá prestar contas
das palavras ditas.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
sábado, 7 de abril de 2018
"Há sempre alguma poesia pairando no ar"
tinha um arco na iris dos olhos
tinha capim santo nas margens dos meus olhos
oficina literária na casa da nossa amiga Laura em MG 03/04/18
tinha capim santo nas margens dos meus olhos
oficina literária na casa da nossa amiga Laura em MG 03/04/18
meu poema procura um livro
Fátima Fonseca
quero a
vida
germinando
nos livros
páginas
fazendo curvas
saliva
beijando poesia
letras
que sabem de mim
e me
escrevem
descobri
com Manoel de Barros
que
“aroma de jacintos me infinita m”
esse
que agora mesmo passou por aqui
e minhas
folhas amarelas
suplicaram
um pedaço de palavra
tijolos
de uma casa
para
meu poema.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
vaidade
Fátima Fonseca
quando penso
que senhora vaidade
já se foi
que nada!
olha ela aí
vestida de desamparo
retocando estrelas
frente espelho
quinta-feira, 22 de março de 2018
encontro com o poeta
Fátima Fonseca
perdida
entre raios e trovões
guiada
pelos desejos
salva
pelos pés descalços
fincados
no chão
para
onde foram as ideias atrevidas
o
olhar cigano
que não
florescem mais poesia em você?
o
silencio transborda sem resposta
sob
esse barco ancorado
que
hoje sou
ilusões
desfazendo... morrendo...
a vida
passando
eu
abismada com a indiferença
choramingo
com as palavras
as
palavras choramingam comigo
Capitu
se foi
virou
adubo
desse
anoitecer
versei
o avesso para Machado de Assis.
terça-feira, 20 de março de 2018
A voz do coqueiral
O coqueiral tem seu idioma
não o de lâmina, é voz redonda:
é em curvas sua reza longa,
decerto aprendida das ondas,
cujo sotaque é o da sua fala,
côncava, curva, abaulada:
dicção do mar com que convive
na vida alísea do Recife.
João Cabral de Melo Neto
Poesia Completa 1940-1980
segunda-feira, 19 de março de 2018
Christian Gurtner
Quem sou eu além daquele que fui?
Perdido entre florestas e sombras de ilusão
Guiado por pequenos passos invisíveis de amor
Jogado aos chutes pelo ódio do opressor
Salvo pelas mãos delicadas de anjos
Reerguido, mais forte, redimido,
Anjos salvei
Por justiça lutei
E o amor novamente busquei
Quem sou além daquele que quero ser?
Puro, sábio e de espírito em paz
Justo, mesmo que por um instante,
Forte, mesmo sem músculos,
E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo”
Mas quem sou eu além daquele que aqui está?
Sou vários, menos este.
O que aqui estava, jamais está
E jamais estará
Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser
Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…
Mas no momento seguinte será diferente
Posso estar no caminho da perfeição
Cheio de imperfeições
Sou o que você vê…
Ou o que quero mostrar.
Mas se olhar por mais de um segundo,
Verá vários “eus”,
Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei.
Quem sou eu além daquele que fui?
Perdido entre florestas e sombras de ilusão
Guiado por pequenos passos invisíveis de amor
Jogado aos chutes pelo ódio do opressor
Salvo pelas mãos delicadas de anjos
Reerguido, mais forte, redimido,
Anjos salvei
Por justiça lutei
E o amor novamente busquei
Quem sou além daquele que quero ser?
Puro, sábio e de espírito em paz
Justo, mesmo que por um instante,
Forte, mesmo sem músculos,
E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo”
Mas quem sou eu além daquele que aqui está?
Sou vários, menos este.
O que aqui estava, jamais está
E jamais estará
Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser
Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…
Mas no momento seguinte será diferente
Posso estar no caminho da perfeição
Cheio de imperfeições
Sou o que você vê…
Ou o que quero mostrar.
Mas se olhar por mais de um segundo,
Verá vários “eus”,
Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei.
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