quarta-feira, 20 de março de 2019

Abóbora?

              Fátima Fonseca
Abóbora?
Então abóbora deve ser preguiça
pois minha mãe dizia: levanta menina!
Vai a luta
não fique aí feito uma abóbora.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Falhei

falhei
ser
                       Fátima Fonseca

a palavra que procuro entender
não é  aquela
que pede dicionário
dobra a lingua


definitivamente a palavra
que procuro entender
é aquela que desce pelo meu esôfago
e deixa um “ser”  dobrado
engasgado na garganta ressequida

falhei
ser

segunda-feira, 11 de março de 2019

a menina viveu alguns anos no mato
espreguiçava feito bicho preguiça
comia carne de tatu, veado, paca, ovos caipira
tomava banhos em agua doce.
foi levada pra  cidade grande
teve que aumentar os passos  
descobriu  uvas e melancias sem caroços, 
e outros geneticamente modificadas, 
experimentou água com gás,
peito de frango grande e suculento de hormônios, 
carnes a vácuo, goiaba sem bicho...
e foi crescendo assim meio esquisita:
Imprecisa
espessa
bélica
caiçara
pachorra, um naco de poesia.
                   

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Adiòs


                          Fátima Fonseca
na despedida ele rasgou o verbo:
esqueça!
ela amassou aquela palavra
dobrou a esquina
e foi ser passarinha
bater asas nas nascentes de outros
versos
amo a palavra desapego.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Florir


a menina vestia chita florida
carregava cesta com poesias
pães fresquinhos.
as borboletas a perseguia
eram flores que elas liam.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O meu dia a dia

o meu dia a dia é uma viagem
que me
rasga
remodela
revela
agora dei para fotografar borboletas
borboletas que pedem flores
flores que pedem  chuva
chuva que pede vento
e eu,  cá comigo,  no dia a dia
também  carrego os meus pedidos
que me esperançam a sempre partir...
fleuma e indiferente

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Minha rua


                                                Fátima Fonseca



E aquela mulher na esquina com lápis e papel?
Parece querer voar.  Vai saber...

Bem no olho da rua
um mosquitinho flutuante
só de  passagem

eu, vizinhos e você
meu bordado é em ponto cruz
ausências e distâncias.
sou as encruzilhadas de esperanças
                                                Fátima Fonseca

sábado, 12 de janeiro de 2019



Há um escrever de sonhar
de camélia e de sumir
em paixão de magoar

Poemas de resistir
quando a poesia é de luz

de afirmar a liberdade
com asas de naveg

Maria Teresa Horta, (2017: p. 99),  Poesis.